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Boas práticas na colheita e secagem do café

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Gilberto Monteiro Tessaro, Perseu Fernando Perdoná, Wander Ramos Gomes  – Engenheiros Agrônomos da Cooabriel

Estamos nos aproximando de uma nova safra. As chuvas ocorridas no período de novembro de 2016 a fevereiro de 2017, aumenta muito a chance de que teremos uma produção de café de boa qualidade. Portanto, devemos ficar atentos para não estragarmos o produto na hora da colheita e secagem.

Entretanto, antes mesmo da colheita da safra de 2017, devemos iniciar o planejamento da safra 2018, por isto, algumas tecnologias devem ser executadas neste período março/abril para aumentar as possibilidades de uma boa florada, tais como: Controle de ferrugem em março, Coleta de solo para análise, última desbrota e manejo do mato. O ideal é que essas tecnologias sejam efetuadas antes da safra, aí sim com as tecnologias em dia, vamos começar a colheita com a sugestão proposta, para produção de um café de maior qualidade.

O cafeeiro produz grãos normais e sadios, porém, algumas práticas na colheita e na secagem danificam os frutos dando origem a grãos defeituosos. Devemos nos atentar que a grande maioria das ações que refletem a melhoria da qualidade do café não requer, necessariamente custo adicional. Paralelamente, ao evoluir a qualidade do produto aumenta-se a quantidade obtida, uma vez que os defeitos comprometem a qualidade dos grãos, tornando-os mais leves que os grãos normais.

COLHEITA – Realizar a colheita com menos de 20% de grãos verdes. Os grãos verdes ainda não tiveram sua maturação fisiológica completada. Por serem colhidos verdes, os grãos não acumularam a máxima matéria seca, sendo assim, são mais leves que os grãos maduros. Além de não ter atingido o equilíbrio ideal de seus componentes o que confere uma bebida ruim.

    Tabela 01: Peso médio de 1000 grãos

De acordo com a tabela 01, enquanto 1000 grãos normais maduros pesam em torno de 122,5 gramas, 1000 grãos verdes (colhidos antes da total maturação) pesam apenas 97,4 gramas, cerca de 20% mais leve.

O momento correto de realizar a colheita, de fato reflete diretamente no rendimento do café beneficiado, consequentemente, nos lucros obtidos na lavoura. É sabido que ao colher o café com 50% dos grãos verdes, há uma perda de aproximadamente 13% (7,8kg/saca) no peso final. Deste modo, considerando o preço de uma saca em R$ 400,00 (Quatrocentos Reais), obteve-se prejuízos de R$ 52,00 por saca, isso sem considerar a desvalorização do tipo de café.

SOBRE A SECAGEM DO GRÃO

Deve-se secar o café no mesmo dia de colhido. Quando o café fica amontoado ou ensacado por mais de oito horas, ocorre a fermentação dos grãos, originando os grãos ardidos e os pretos. De acordo com a tabela (1), 1000, grãos ardidos pesam cerca de 77,8 gramas e 1000 grãos pretos 64,2 gramas, cerca de 36% e 47% respectivamente mais leves que grãos normais.

Caso haja a necessidade de manter o café ensacado, que seja feito na sombra e por um tempo menor que oito horas, evitando assim, as fermentações indesejadas.

Foi visto acima que grãos defeituosos são mais leves que grãos normais, o que prejudica a produção final. Por exemplo: para fazer a mesma saca de café de 60 quilos é necessária uma quantidade muito maior de grãos verdes (ou pretos ou ardidos) que de grãos maduros.

Portanto, quanto maior a porcentagem de grãos maduros na colheita, maior será a quantidade de quilos de café pilado.

Em outras publicações como “A importância da colheita do café com maturação ideal” escrita pelo Engenheiro Agrônomo Carlos Otávio Ribeiro Constantino e publicada no Site da Cooabriel(http://cooabriel.coop.br/pt/2016/04/ importancia-da-colheita-do-cafe-com-maturacao-ideal/), também foram discutidas as perdas decorrentes de alguns defeitos produzidos durante a colheita.

Procedimentos em secador mecânico

Fornalha – Na fornalha deve-se usar lenha seca como combustível, evitar sempre queimar materiais que possam produzir cheiro na sua queima, pois podem contaminar o café. Nunca queimar lixo ou outros resíduos.

Secagem – Secar em secador por aproximadamente 16 horas. A secagem lenta preserva a qualidade do grão diminuindo o número de grãos preto – verdes que são produzidos através da queima da película que recobre o grão de café verde, devido às altas temperaturas empregadas para a secagem rápida. Os grãos preto-verdes podem ser 20% mais leves que grãos normais.

A temperatura de secagem ideal para a preservação da qualidade do café é em torno de 60º C na massa de grãos (Café Conilon, 2007), podendo ser medida no termômetro que fica no secador.

 

Melhorando os processos de colheita e secagem, reduzimos a presença de defeitos , que por sua vez, melhora o tipo do café e conserva o peso dos grãos, consequentemente aumenta-se o lucro na propriedade e o produtor acaba colocando mais dinheiro no bolso.

Referências: Daher, F. de A. & Teixeira M.M.; “Agregação de valor produzindo café de qualidade superior”; Acesso em: 26/09/2016; Disponível em <http://www.cetcaf.com.br/apostila%20agregacao%20valor%20-%20rev%20jun-2011.pdf. / Ferrão, R. G.; Fonseca A. F. A. da; Bragança, Scheilla, M. V.; Ferrão, M. A. G.; De Muner, L. H.; “Café Conilon”; 2007; Vitória; Incaper.
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