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Novas tecnologias de produção do café conilon com grande impacto na produtividade

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Bruno Sérgio Oliveira e Silva – Eng. Agrônomo Projeto Conilon Eficiente COOABRIEL
Carlos Otávio Ribeiro Constantino – Eng. Agrônomo Projeto Conilon Eficiente COOABRIEL
Roberto Passon Casagrande – Eng. Agrônomo Projeto Conilon Eficiente COOABRIEL
Wander Ramos Gomes – Eng. Agrônomo Gerente da Assistência Técnica e Coordenador da Consultoria Técnica da COOABRIEL

 

O estado do Espirito Santo é o principal produtor de café conilon do Brasil, pela tradição no cultivo e empreendedorismo dos produtores, centros de pesquisa e consultores, possui umas das melhores tecnologias a nivel mundial para produção desta espécie.

Podemos verificar que na ultima década a tecnologia de maior alcance  e resultado foi a poda programada de ciclo, que tornou-se muito importante no sistema produtivo.

Vamos apresentar neste artigo cinco tecnologias que vem sendo utilizadas por parte dos produtores e que se traduzem numa nova forma de cultivo para a cultura:

1 – Adensamento de plantio:

Está é uma técnica de excelentes resultados, pois na cafeicultura, como em grande parte das culturas, a produtividade, dentro de certos limites, guarda relação com o número de plantas por hectare. Além disso, plantas mais próximas, produzem menos individualmente e se estressam menos com a produção, podendo se recuperar melhor para a safra seguinte, resultando em maiores produtividades por área.

O café conilon apresenta várias características e fatores que interferem na capacidade de produção dentre eles estão: diâmetro da copa, número de nós, comprimento dos internódios, variedades, fertilidade do solo, nível tecnológico, produtividade desejada, utilização de irrigação e mecanização.

Quando definimos espaçamentos, devemos definir quais clones serão implantados, cada um apresenta uma capacidade de produtividade e ou capacidade de arqueamento (tombar os galhos) de acordo com as condições de cultivo. A intensidade de luz e ou arejamento na parte interna da planta para alguns clones, poderá influenciar na produção e ou na vida útil da haste (galhos). Como exemplos, em espaçamentos de 1 metro entre plantas, é orientado a condução com três hastes por planta, já para os clones 8V e 13V no mesmo espaçamento, é aconselhável com duas, o primeiro produz mais e o segundo vira menos os galhos.

 

 

Foto 1: Lavoura plantada no espaçamento 3,5 X 0,60 metros na 1° colheita –Condução com 2 hastes/planta.

 

 

 
 
Foto 2: Lavoura plantada no espaçamento 3,5 X 0,60 metros na 2° colheita –Condução com 2 hastes/planta.

 

 

 

 

 
Foto 3: Lavoura plantada no espaçamento 3,5 X 0,60 metros após a poda da 2° colheita – Condução com 2 hastes/planta.

 

 

 

 

No quadro 1, temos diferentes densidades de plantios, número de plantas por hectare, hastes por planta e tipo de sistema.

Quadro 1: Diferentes densidades de plantios, número de plantas por hectare, hastes por planta e tipo de sistema.

 

2 – Sistema de irrigação por gotejamento:

A irrigação por gotejamento em cafeeiros tem se mostrado uma das mais eficientes, não só pela racionalização no uso da água e de energia, mas também por não propiciar ambiente com alta umidade relativa o qual favorece o desenvolvimento e propagação de doenças.

Pode ser instalada em qualquer topografia ou formato de área, desde que apresente um bom projeto bem dimensionado, seja avaliado a qualidade de água e utilize um bom sistema de filtragem, esses são os cuidados para esse sistema. Os benefícios paralelos da irrigação por gotejamento são: distribuição de fertilizantes, baixo custo de mão de obra de operação, otimização do recurso hídrico, baixa potência instalada comparado com outros métodos de irrigação pressurizado, acreditamos ainda uma maior vida útil das hastes após a renovação dos galhos, por serem mais resistentes a tombamento.

Foto 4: Lavoura plantada com sistema de irrigação por gotejamento.
 

 

 

 

 

 

 

3 – Fertirrigação:

A fertirrigação é uma técnica que consiste em realizar a adubação via sistema de irrigação, com uso de fertilizantes solúveis em agua, é uma técnica importante, pois aumenta a eficiência das adubações possibilitando também o maior parcelamento das adubações ao longo do ano agrícola.

Com as adubações manuais, orientamos parcelar em 6 vezes ao ano, com uso de fertirrigação pode-se fazer adubações diárias, semanais em alguns casos quinzenais e ou mensais.

    O sistema permite a realização de uma nutrição mais precisa, pois é possível trabalhar com os macronutrientes e micronutrientes de forma individual e atender a demanda da planta de acordo com o estágio fenológico, com uso de fontes solúveis como por exemplo: ureia, cloreto de potássio branco, nitrato de cálcio, ácido bórico, sulfato de zinco, entre outros. Em adubações convencionais apresentam maior dificuldade de formulação que supram efetivamente a exigência da planta, devido no mercado é comercializado formulas fechadas de macro e micronutrientes. Verificamos no campo que esta tecnologia melhora em muito o crescimento e produtividade.

Em seguida, vamos abordar duas tecnologias importantes que ainda estão pouco difundidas na nossa região, com custos de execução compatíveis a atividade e influência direta no aumento da produtividade e lucratividade na cafeicultura do conilon.

Salientamos que tais técnicas apresentaram melhores resultados em lavouras a serem implantadas e com material genético superior.

4 – Plantio com matéria orgânica no sulco de plantio:

Como estamos numa região de clima tropical, onde a matéria orgânica, possui rápida degradação, torna-se importante o uso da mesma, proporcionando melhoria nas condições químicas, físicas e biológicas, resultando em melhor desenvolvimento do sistema radicular e parte aérea e tendo como consequente maior produtividade, bem como plantas mais resistentes.

Outro fator a ser observado é a condição de renovações de áreas, nas quais são retiradas lavouras velhas e na mesma área implantada a nova lavoura.

Com o valor da terra alto, é inviável a obtenção de novas áreas para plantio, assim, cultivos consecutivos são realizados sob a mesma área.

Nos solos cultivados durante vários anos, possui menor fertilidade natural e baixos teores de matéria orgânica. Com aplicação de matéria orgânica como esterco avícola, bovino e ou palha de café no plantio, permite melhorar a caraterísticas físicas e biológicas do solo, melhorando o desenvolvimento radicular e maior rapidez na formação de lavoura.

5 – Manejo de plantas daninhas:

O manejo de plantas daninhas é uma técnica inovadora que transforma plantas daninhas em aliadas do cafezal, ganhando espaço e se tornando sinônimo de conservação do solo, incremento de fertilidade e alta produtividade. Temos como pilares desta técnica:

– Manter a linha do café sem plantas daninhas vivas, porém com palhada morta;

– Manter a entrelinha sempre com mato (quanto mais mato se produzir melhor).

As vantagens da técnica são inúmeras:

  • Inibe a germinação e crescimento de plantas daninhas na linha do café;
  • Aumenta o teor de matéria orgânica no solo: a matéria orgânica melhora as características físicas (drenagem, estruturação do solo, porosidade, etc.), químicas (fertilidade, disponibilidade e retenção de nutrientes), biológicas (interações benéficas entre a “micro vida”) do solo e servirá como um adubo de liberação lenta;
  • Diminui  a temperatura do solo: solo exposto, em dia quente, atinge até 75ºc, sendo que a partir de 65ºc ocorre morte de radicelas (pequenas raízes responsáveis pela absorção de nutrientes). O solo coberto por palhada fica com temperatura por volta de 45º C, em dias quentes;
  • Reduz as perdas de solo causadas por erosão;
  •  Armazena mais água no solo, pois se diminui a evaporação;
  • Promove a reciclagem de nutrientes no solo;

Foto 5: Plantio direto de café
em pastagem de braquiária brizantha,
formação de palhada de cobertura morta. 

 

 

 

 

 

Foto 6: Plantio de braquiária brizantha em lavoura em formação

 

 

 

COOABRIEL
Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel
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