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Plantio direto aplicados à cafeicultura

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Carlos Otávio Ribeiro Constantino – Engenheiro Agrônomo – Projeto Conilon Eficiente Cooabriel
Perseu Fernando Perdoná –   Engenheiro Agrônomo, Consultor/Coordenador Técnico da Cooabriel

 

O plantio direto é um tipo de sistema que já era utilizado desde os tempos mais antigos pelo homem quando se utilizavam de ferramentas para fazer buracos ao solo, depositando as sementes sem realizar o preparo de solo em toda a área.

Podemos citar duas civilizações antigas que cultivavam desta forma. Os egípcios que praticavam a agricultura nas proximidades do rio Nilo e os Incas que produziam seus alimentos em áreas vulcânicas de solos férteis na região dos Andes.

O termo plantio direto origina-se do conceito de plantar diretamente sobre o solo não arado, e o termo na palha acrescenta a ideia de manter o solo sempre protegido por resíduos orgânicos. É uma técnica que é utilizada principalmente em plantio de culturas anuais, como milho, soja, trigo, algodão, etc…

 

Princípios básicos do plantio direto 

O plantio direto é definido como aquele no qual a implantação da cultura é feita sobre restos de culturas anteriores com a rotação de culturas, sem qualquer movimentação do solo, restrita somente à linha ou local de semeadura ou plantio.  O sistema ideal é aquele que integra tecnologias visando a redução de custos e a qualidade ambiental, permitindo interações biológicas e processos naturais benéficos no solo. 

  Por incorporar princípios agroecológicos, o plantio direto proporciona as condições ideais para o crescimento das culturas ao mesmo tempo em que promove a qualidade ambiental, tendo seus princípios centrados na natureza. 

 Por tradição no preparo do solo para o plantio de café já utilizamos desta técnica, pois geralmente, se preparam as covas/sulcos efetuando-se assim somente o preparo no local da cova, principalmente, em áreas com maior declive. Já em áreas planas, verificamos o preparo de modo convencional, com uso de aração, gradagem e posterior subsolagem.

Atualmente. surge o conceito de manejo do mato no cafezal, como no consórcio entre cafeeiro e braquiária. Nesse consórcio, a forrageira é cultivada na entrelinha, enquanto a linha de plantio do café é mantida coberta pelo resíduo lançado pela roçadeira, durante a roçada na entrelinha.

Sistema de plantio direto em café conilon em pastagem de braquiária, município de Nova Venécia-ES.

 

Principais vantagens potenciais deste sistema 

1) No consórcio cafeeiro e braquiária, os resíduos vegetais servem como fonte de nutrientes para o cafeeiro, principalmente, quando reciclam na projeção da copa, os elementos absorvidos na rua do cafezal.

Resíduo da roçada mostrando a cobertura de solo e manutenção da umidade no solo

2) Em solo exposto ao sol,  sem cobertura morta, o crescimento da planta é prejudicado pela temperatura do solo e também, pela evaporação de até 30 mil litros de água por hectare, por dia. O que ocasiona a evaporação, é a elevação de temperatura acima de 30° C, muito comum em nossa região.

Manejo tradicional, evaporação garantida de água do solo

3) A deposição de 5 toneladas (t) por hectare de biomassa de braquiária roçada, na entrelinha do cafezal, fornece o equivalente a 70 kg nitrogênio (N) e 8 kg de potássio (K2O) por hectare.

4) A braquiária é mais eficiente que o cafeeiro para extrair o fósforo (P) do solo, o qual será disponibilizado, gradualmente, com a decomposição da palhada.

No cultivo em consórcio com o cafeeiro, estima-se uma produção de biomassa seca de braquiária de pelo menos 10 toneladas  por hectare por ano, podendo chegar a 40 toneladas dependendo das condições climáticas e tipo de manejo.

5) A presença de resíduos cobrindo o solo na linha de plantio inibe o crescimento de plantas daninhas e impede que a temperatura do solo ultrapasse 30°C, que em dia quente e na ausência de cobertura, pode ser muito superior a 50°C. Quando a temperatura do solo é superior a 33°C, parte das raízes absorvedoras morrem.

6) O sistema radicular da braquiária alcança, aproximadamente, 80 cm de profundidade em cerca de três ou quatro meses após a semeadura, dependendo do tipo de solo. A decomposição de parte dessas raízes, após cada roçada da braquiaria, ajuda na estruturação do solo e na formação de “bioporos”.

7) Aumenta-se o teor de matéria orgânica no solo. A matéria orgânica melhora as características físicas (drenagem, estruturação do solo, porosidade, etc.), químicas (fertilidade, disponibilidade e retenção de nutrientes), biológicas (interações benéficas entre a “micro vida”) do solo e servirá como um adubo de liberação lenta.

 

Desvantagens potenciais

1) Quando o sistema não é bem implantado e conduzido, pode haver competição direta por água, luz e nutrientes com a cultura de interesse, nesse caso, o café, portanto, deve ser mantida uma faixa mínima de 50 centímetros entre a braquiária e o cafeeiro.  

2) Durante o processo de decomposição da palhada da braquiária, ocorre o consumo de parte do nitrogênio presente no solo pelos microrganismos decompositores. Desta forma, a adubação nitrogenada do cafeeiro precisa ser ajustada de forma a considerar também esse fator, para não prejudicar o cafeeiro.

 

Concluindo:

As experiências até então demonstram que essa estratégia de manejo apresentam inúmeros aspectos positivos que favorecem o crescimento das plantas de café em formação e das plantas em produção, parte disso, se atribui à preservação da umidade e da alocação de nutrientes da entrelinha, fora do alcance das raízes, para debaixo da copa do cafeeiro, onde se concentra o sistema radicular.

Como sabemos, a água é hoje sem dúvida,  o principal fator limitante à produção de café conilon, portanto a técnica apresentada e estando com o manejo correto interrompe a perda de água por evaporação no sistema de cultivo, mantendo assim a água disponível para uso do cafeeiro.

A técnica apresentada é mais um aliado do cafeicultor rumo às boas práticas agrícolas que resultará em melhores produções.

Braquiária na entrelinha 30 dias após a roçada mostrando a eficiência do sistema (linha coberta com resíduo morto e entrelinha coberta com material vivo no município de São Gabriel da Palha-ES).

 

COOABRIEL
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