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Broca do Café

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Após alguns anos sem ataque significativo dessa praga, nesta safra, a broca do café (Hypothenemus hampei) voltou a “tirar o sono do cafeicultor”. 

Luiz Vicente Santos Thomaz, Engenheiro Agrônomo, Consultor Técnico da Cooabriel 
Perseu Fernando Perdoná, Engenheiro Agrônomo, Coordenador Técnico da Cooabriel
Renato Strelow, Técnico Agrícola – Consultor Técnico da Cooabriel

Falaremos um pouco sobre alternativas de manejo e os prejuízos, dessa que é considerada a principal praga da cultura do café conilon e arábica.

A broca do café é originária da África. No Brasil, a praga foi introduzida junto com os primeiros lotes de mudas e sementes de café importado no ano de 1913 em São Paulo, de onde espalhou-se por todo território nacional.

O inseto causa danos à produção em todos os estágios de desenvolvimento do fruto, inclusive quando ainda chumbinho.

A denominação “broca do café” é devido ao inseto criar cavidades no grão, perfurando até atingir a semente, onde a fêmea irá ovipositar ao longo de seu ciclo de vida, de 31 até 119 ovos. Isso acontece quando o fruto toma forma de chumbão verde, nesta fase o fruto apresenta teor de umidade adequado para a praga se reproduzir.

CICLO DE VIDA

 A fêmea fecundada perfura o fruto geralmente na região da coroa, fazendo uma galeria até chegar na região da semente (para penetrar o fruto leva em torno de 7 dias). Depois alarga-se a galeria, transformando em uma câmara onde realizará a postura. O número de ovos por câmara dificilmente vai passar de 20. O período de incubação dos ovos é de 4 a 16 dias. A fase larval é de 4 a 10 dias, e o período pupal é em média 10 dias. O ciclo evolutivo médio da broca é de 28 dias.

O inseto adulto sobrevive de uma safra para outra, em frutos do café caídos no solo ou ainda presentes nas plantas. Após a colheita, as chuvas propiciarão condições ideais de sobrevivência. Outro fator que também pode influenciar é a desuniformidade da florada, pois terá um período maior de alimentação.

PREJUÍZOS

 Após a penetração no fruto a praga cria galerias para posterior postura, daí surgem as larvas que se alimentam parcialmente ou totalmente da semente. Em grandes infestações, reduz-se muito o percentual de grãos perfeitos, consequentemente aumenta a quantidade de grãos quebrados, perfurados e de escolha, naturalmente quebra de peso, além de sabor ruim e mau aspecto.

Para uma saca com 85% de grãos brocados a perda de peso pode chegar a 20%. Os grãos brocados também resultam em prejuízo na classificação, visto que para cada 5 grãos perfurados é atribuído um defeito. Ainda deve-se considerar como grande prejuízo a queda de frutos quando ainda na fase chumbinho.

Métodos de controle e supressão da praga

CONTROLE BIOLÓGICO

Vespa de Uganda:  Reproduzida e comercializada pela Cooabriel, se mostra como uma opção importante no conjunto de medidas de controle para ambas as brocas: fruto e haste. Utiliza-se 10 mil insetos por ha, com repovoamento anual.

Beauveria Bassiana: Trata-se de um fungo reproduzido em laboratório, que tem se mostrado muito eficiente no controle da broca do fruto. Seu uso deve ser feito em dias de alta umidade e baixa temperatura, e enquanto não pulverizado na lavoura deve ser conservado em ambiente refrigerado.

CONTROLE QUÍMICO

 Para melhores resultados no uso de defensivos para o controle da praga é extremamente importante que o produtor realize o monitoramento a fim quantificar o grau de infestação e o momento mais apropriado de realizar a pulverização. Esse controle deve iniciar quando o nível de infestação atingir de 3 a 5%, devendo utilizar produtos químicos com registro para a cultura. Atualmente existem 22 produtos comerciais registrados para a cultura do café. Mesmo após a aplicação do inseticida deve-se continuar o monitoramento e se alcançar o nível de infestação, deve-se pulverizar novamente, respeitando o período de carência do produto usado.

CONTROLE CULTURAL

 Catação de grãos: Não deixar grãos de café sem colher na planta e evitar que esses fiquem na lavoura, pois, são grandes hospedeiros e disseminador desta praga;

Secagem correta: O Café conilon deve ser armazenado com umidade abaixo de 14,7%, assim não permite o desenvolvimento das larvas vivas para o armazém;

Armadilhas – Tem se mostrado eficientes na redução da população, tanto da broca do fruto, como na broca da haste, permitindo a captação de ambas, isso em horários de difícil controle químico, ou seja, após anoitecer, que é quando também acontece maior revoada das fêmeas.

 A finalidade principal da armadilha é a captação de brocas para estudo e monitoramento da infestação (no mercado é possível comprar prontas com o feromônio- atrativos para a broca), porém, a nível de campo, observamos que podemos usar com muita eficiência como mais uma opção aos métodos de controle já existentes tendo um resultado positivo durante o ano todo e durante as 24 horas do dia, com um custo bastante baixo, inclusive, sendo fabricada na propriedade com reciclagem de garrafas pet de 2 litros.

 Como confeccionar a armadilha?

 

Materiais necessários: 1 garrafa pet de 2 litros, 1 frasco difusor de vidro de 10 a 30 ml com tampa de borracha ( tipo frascos de vacina humana ou animal), 1 pedaço de Arame flexível de aproximadamente 40 cm, 2 canos inox de 1 a 2 cm encontrado em casa de material de pesca, ou também pode ser usado cano de cotonete ou pirulito cortado, 1 frasco de tinta óleo ou esmalte sintética vermelho.

Modo de fazer: Cortar com estilete a abertura de captura, e pintar a garrafa com a tinta vermelha. Furar o fundo da garrafa e passar o arame dando uma pequena torcida na medida da altura do frasco difusor.

Difusor: localizado no centro da armadilha, preso ao arame que contém o atraente, e libera de maneira contínua, por efeito de evaporação. Vidro de 10 milímetros com tampa de borracha com furo de 2 milímetros.

Atraente: Mistura de álcool Etanol (250 ml) e Metanol ( 750 ml) para formar 1 litro que ira abastecer os frascos das armadilhas.

O líquido da captura: Se compõe da mistura de água (200 ml aproximadamente) e um pouco de detergente líquido neutro (10 ml), para afogar a Broca.

OBS: Apesar de não ser perigoso em contato com a pele e não intoxicar por inalação, deve se ter o máximo de cuidado com o METANOL. Muito semelhante em cor, cheiro e gosto com o aguardente (cachaça), pode ser facilmente confundido. Se em contato direto com olhos pode causar cegueira e se ingerido pode causar morte. O Frasco deve ter identificação clara, ficar trancado em local seguro livre de acesso de animais, crianças e pessoas desavisadas.

 

 

 

COOABRIEL
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